Curiosidades

As Velas

As velas foram usadas para medir tempo, devido à sua combustão cadenciada, sabendo-se que a dinastia chinesa Song usava “relógios” de velas.


O cristianismo adotou o uso das velas em seus ritos, por manter a tradição judaica de se rezar usando candelabros em cima de mesas. Além disso era usada no tempo da Igreja primitiva, por conta de iluminar o ambiente (pois não existia luz elétrica). Logo se deu uma simbologia cristológica ao uso das velas, por conta do simbolismo que Cristo é a luz do mundo (cf. Jo 8,12).


Com a legislação atual litúrgica do rito romano, podemos verificar que existe uma quantidade mínima que deve ter em cima de um altar, que é de duas velas e não só uma como afirma muitos padres.


Sobre o altar ou perto dele, dispõem-se, em qualquer celebração, pelo menos dois cartiçais com velas acessas, ou quatro ou seis , sobretudo no caso de Missa dominical ou festiva até sete, se for o Bispo diocesano a celebrar” (IGMR, 117).


Mínimo no altar: 2 velas.
Se o bispo for celebrar: 7 velas.
Missa dominical e festas: até 6 velas.
Podem estar em cima ou juntas do altar (mesa eucarística).

A hóstia

Qual o significado do padre partir a Hóstia ao meio?

O padre parte a Hóstia para significar o que Jesus fez: partiu o Pão e distribuiu aos discípulos. O pedacinho que ele coloca no vinho consagrado é sinal de unidade da Igreja; significa a Eucaristia que antigamente o Bispo celebrava e enviava para a outras comunidades onde não tinha Missa.

Origem da Hóstia A palavra hóstia?

Do latim hóstia, quer dizer vítima. Originariamente, era o animal imolado ao sacrifício. Na Antiguidade, chamava-se de hóstia o que era oferecido às divindades. A Igreja Católica teve a idea de aplicar o termo hóstia a Jesus, que se deixou imolar para a felicidade dos homens

A Igreja chama de transubstanciação a mudança da natureza do pão no corpo de Cristo, e a mudança da natureza do vinho no seu sangue.

O termo transubstanciação, na linguagem teológica, só se tornou corrente a partir do séc. XII, embora a realidade por ele expressa já fosse professada pela Sagrada Escritura e pelas subsequentes gerações cristãs. No séc. XI um concílio regional de Roma (1079), recolhendo os dados da tradição teológica anterior, redigiu a seguinte profissão de fé:

“Intimamente creio e abertamente confesso que o pão e o vinho colocados sobre o altar, mediante o mistério da oração sagrada e as palavras do nosso Redentor, se convertem substancialmente (subs-tantialiter converti) na verdadeira, própria, carne e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo; e (…) que, depois da Consagração, há o verdadeiro corpo de Cristo, o qual nasceu da Virgem, foi oferecido para a salvação do mundo, pendurado na cruz e ora está assentado a direita do Pai; há também o verdadeiro sangue de Cristo, que jorrou do seu lado; na propriedade da sua natureza e na realidade da sua substância” (DS 700).

No séc. XIII o Concílio do Latrão IV (1215), retomando a constante doutrina da Igreja, exprimiu-a com a palavra que se achava esboçada pelos textos anteriores: transubstanciação. Os subsequentes Concílios de Constança (1415-1417) e Florença (1438-1444) repetiram, em suas definições, o termo que assim se tornara clássico na teologia.

Santo Agostinho († 430) já dizia a mesma coisa em outras palavras: “O que vedes, caríssimos, na mesa do Senhor, é pão e vinho; mas esse pão e esse vinho, acrescentando-se-lhes a palavra, tornam-se corpo e sangue de Cristo (…). Tira a palavra, e tens pão e vinho; acrescenta a palavra, e já tens outra coisa. E essa outra coisa que é? Corpo e sangue de Cristo.

Tira a palavra, e tens pão e vinho; acrescenta a palavra, e tens um sacramento. A isso tudo vós dizeis: “Amém”. Dizer “Amém” é subscrever Amém; em latim significa: É verdade” (Sermão 6,3).

Quando Lutero pôs em dúvida a presença real e permanente de Cristo na sagrada Hóstia, o Concílio de Trento, em 1551, professou:

“Uma vez que Cristo nosso Redentor disse que aquilo que oferecia sob a espécie de pão era verdadeiramente o seu corpo (Mt 26,26; Mc 14,22; Lc 22,19; 1Cor 11,24), sempre houve, na Igreja de Deus, esta mesma persuasão que agora este Santo Concílio passa a declarar: pela consagração do pão e do vinho efetua-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo Nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue. Esta conversão foi com muito acerto e propriedade chamada pela Igreja Católica transubstanciação” (DS 1642; cf. DS 165).

O corpo de Cristo pode simultaneamente estar presente em diversas hóstias consagradas e em vários lugares, pois Jesus não está presente na Eucaristia pela localização no espaço; mas pela presença do pão.

A mesma presença do Cristo eucarístico se multiplica, com as muitas Hóstias consagradas, sem que o corpo de Cristo se multiplique. Não há bilocação nem multilocação do corpo de Cristo, porque simplesmente não há locação do mesmo, mas apenas locação e multilocação do pão consagrado.

O corpo de Cristo não se parte nem se divide quando se divide a sagrada Hóstia; quando o pão consagrado é partido, só se parte a quantidade do pão, não o corpo de Jesus. Assim, muitas Hóstias e muitos fragmentos de Hóstia não constituem muitos Cristos, o que seria absurdo, mas muitas “presenças” de um só e mesmo Cristo. Uma comparação se pode fazer com os espelhos. A multiplicação deles não multiplica o objeto original, mas multiplica a presença desse objeto. Quando você olha para um espelho, nele você vê uma imagem do seu rosto inteiro; se quebrá-lo em duas ou mais partes, a sua imagem não se quebrará com o espelho, mas continuará uma imagem inteira em cada pedaço.

Outra comparação é a de uma música ouvida por muitos ouvintes; isto não multiplica a música, mas apenas a presença da mesma (Dom Estêvão Bettencourt).

Quando o pão eucarístico se deteriora por efeito do tempo, dos sucos digestivos ou de um agente corruptor, o que se estraga são apenas os acidentes do pão (quantidade, cor, figura…); então, o corpo de Cristo deixa de estar presente sob os véus eucarísticos desde que estes sejam alterados. Cristo claramente quis que a sua presença eucarística fosse garantida pelas espécies, ou as aparências, de pão e vinho, não as de algum outro corpo.

É importante notar que para o físico, a substância de um corpo é algo material, que ele pode medir e pesar, mas para o filósofo ou o teólogo, a substância das coisas materiais é uma entidade muito real, mas só perceptível pela inteligência. O que para o físico é substância, para o filósofo é aparência, ou acidente. Assim, na Eucaristia, há mudança de substância ou essência do pão e do vinho, mas as aparências acidentais permanecem as mesmas.

Explicando melhor: em todo ser há um conjunto de coisas que podem mudar, como o tamanho, a cor, o peso, o sabor, etc., e um substrato-permanente que, conservando-se sempre o mesmo, caracteriza o ser, que não muda. Esse substrato é chamado substância, essência ou natureza do ser. Em qualquer pedaço de pão, há coisas mutáveis: a cor, tamanho, gosto, o sabor, a posição, sem que a substância que as sustenta mude; esta substância ninguém vê; mas é uma realidade. Assim, há homens de cores diferentes, feições diferentes, etc.; mas todos possuem uma mesma substância: uma alma humana imortal, que se nota pelas suas faculdades que os animais não têm: inteligência, liberdade, vontade, consciência, psiquê, etc.

O devido respeito para com a Sagrada Eucaristia

Quando as palavras da Consagração são pronunciadas sobre o pão, a substância (essência, natureza) deste se muda ou se converte totalmente em substância do corpo humano de Jesus (donde o nome “transubstanciação”), ficando, porém, os acidentes externos (aparências) do pão (gosto, cor, cheiro, sabor, tamanho, etc.); sendo assim, sem mudar de aparência, o pão consagrado já não é pão, mas é substancialmente o corpo de Cristo.

Evidentemente Cristo manteve as aparências do pão, a fim de que pudéssemos recebê-lo como alimento. O mesmo se dá com o vinho; ao serem pronunciadas sobre ele as palavras da Consagração; sua substância se converte na do sangue do Senhor, pelo poder da intervenção da Onipotência divina. As palavras do sacerdote já não são mais dele, mas de Cristo mesmo que, pelo sacramento da Ordem, age por meio dele.

A fé católica, no Concílio de Trento, rejeitou a doutrina de Lutero, que admitia a “empanação” de Cristo: isto é, permaneceriam a substância do pão e a do vinho junto com a do corpo e a do sangue de Cristo; o pão continuaria a ser realmente pão (e não apenas segundo as aparências), o vinho continuaria a ser realmente vinho (e não apenas segundo as aparências), de tal sorte que o corpo de Cristo estaria como que “revestido” de pão e vinho.

Assim como na criação acontece o surgimento de todo o ser, também na Eucaristia há a conversão de todo o ser. Esta “conversão de todo o ser” é “conversão de toda a substância” ou “transubstanciação”.

Assim como só Deus pode criar (tirar um ser do nada), só Deus pode “transubstanciar”, ambas as atividades supõem um poder infinito que só Deus tem.

http://cleofas.com.br/como-e-a-presenca-de-cristo-na-hostia-consagrada/

A história das velas

Pinturas encontradas em cavernas, que se estima terem sido feitas cerca de 50.000 anos a.C., mostram que naquela altura a luz era fornecida por recipientes com gordura animal no estado líquido, nos quais se usavam fibras de plantas que funcionavam como pavio.

As primeiras referências às velas datam do séc. X a.C. e vêm referidas em textos Bíblicos. Essas velas eram nada mais que simples de juncos besuntados com sebo. Descobertas arqueológicas encontraram no Egito e na Grécia velas com formato de bastão. Para os gregos as velas simbolizavam o luar e constatou-se que na Grécia as velas eram usadas ao 6º dia de cada mês como adoração a Artemisa, a deusa grega da caça.

Pela Idade Média as velas iluminavam igrejas, mosteiros e salões. Nessa época o clero aconselhava o uso de velas brancas para afugentar as bruxas e os agricultores utilizavam as velas sagradas para proteger os seus rebanhos. O material mais comum nessa época para confeccionar as velas era o sebo dos animais. Isto tinha a desvantagem de criar muito fumo e de ter um cheiro bastante desagradável. A opção que tinham era a de velas feitas com a cera das abelhas só que nesse caso o problema era a quantidade de cera não ser suficiente para responder à procura.

Apesar disso na Europa as velas eram tidas como artigos de luxo, sendo fabricadas nas cidades por artesãos especializados e vendidas a um preço elevado fossem de sebo ou cera. Conforme as possibilidades de cada comprador eram colocadas em castiçais de madeira ou de prata. Apesar do seu preço e atendendo à necessidade óbvia, foi rapidamente visto como um negócio estável e claro, lucrativo. Só em Paris, no ano de 1292, foram contabilizados 71 fabricantes de velas.

A vela como elemento de decoração

No séc. XVI deu-se a criação de diversos tipos de suportes e castiçais a preços mais baixos e com isso as velas passaram a ser vendidas ao peso ou em grupo.

Como a luz emitida pelas velas dependia do material de que era feita, produzindo a de cera uma luz mais brilhante, em Inglaterra houve uma preferência pelos fabricantes de velas de cera em relação às de sebo, apesar do seu preço mais elevado.

Com o aparecimento da iluminação a gás no séc. XIX, a utilização das velas para esse efeito foi diminuindo. Mas as camadas mais pobres da população continuavam a não ter acesso ao gás pelo que se desenvolveu a maquinaria para a produção das velas para essas famílias.

No campo das pesquisas, o químico francês Michel Eugene Chevreul descobriu em 1811 que o sebo não era uniforme mas sim composto por 2 ácidos gordos ligados a glicerina. Decidiu então retirar a glicerina do sebo criando a “estearina”, mais dura, mais lenta a arder e que dava uma luz mais brilhante. Com esta descoberta a qualidade das velas melhorou substancialmente, tendo também ajudado a que em 1825 fossem também melhorados os pavios, que deixaram de ser de algodão e passaram a ser feitos de fio enrolado, o que dava uma melhor uniformidade à chama.

Com a corrida ao petróleo em 1830, surgiu o derivado mais conhecido da composição das velas actuais, a parafina. Em 1854 foi combinada com a estearina e estavam assim conjugados os elementos base para a produção das velas como as que ainda usamos hoje em dia.

Porque acendemos vela

Por que se acende uma vela a Deus ou a um santo? Para comprá-los a fim de alcançar uma graça? Ou para apaziguá-los a fim de ficarmos livres de um mal que nos atormenta ou de uma desgraça que nos ameaça? Nem um nem outro. O sentido da vela acesa é muito mais nobre e mais profundo.

O costume de acender velas tem origem nas prescrições do Antigo Testamento: «O Senhor disse a Moisés: ‘Ordena aos israelitas que te tragam óleo puro de olivas esmagadas para manter, continuamente acesas as lâmpadas do candelabro. Disporás as lâmpadas no candelabro de ouro puro para que queimem continuamente diante do Senhor’». Lev 24, 1-4.

O sacrifício e a vela acesa

Que relação pode haver entre um sacrifício e uma vela acesa? A vela acesa substitui diante de Deus a pessoa que a acende: Fica se consumindo, como se fosse um holocausto oferecido a Deus. O holocausto era, na Antiguidade e na lei mosaica, o sacrifício mais perfeito, porque por ele a vítima era oferecida a Deus e queimada por inteiro em reconhecimento a seu poder e direito absolutos sobre quem a oferecia. A vela acesa ê um holocausto em miniatura. A pessoa compra a vela que passa a lhe pertencer, a ser sua. Acende-a para ser consumida em seu lugar.

Uma vela acesa a Deus simboliza, portanto, a adoração e a entrega total de quem a acende ao Deus Todo Poderoso, Senhor e Criador de todos os seres. Uma vela acesa a um santo tem o mesmo simbolismo, só que este sacrifício é oferecido a Deus por intermédio deste ou daquele santo.

Símbolo de Cristo, Luz do mundo

A vela acesa tem também outro simbolismo. Irradiando luz iluminadora, simboliza Cristo «Luz do mundo», conforme ele próprio se qualificou. Por isso, nos ofícios litúrgicos, usam-se frequentemente velas acesas, sobretudo durante a semana santa e o tempo pascal. Mas o dia da luz é o sábado santo, de noite, Vigília da Páscoa {os fiéis, aliás, chamam este dia de Sábado da Luz}. Nele, antes da divina liturgia, procede-se à bênção solene da luz: o sacerdote benze, atrás do altar, uma vela acesa e, depois, de frente para os fiéis, convida-os a acender dessa vela benta, suas velas, dizendo:

«A luz de Cristo ilumina a todos!… Bendito seja o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que ilumina e santifica nossas almas». E com as velas acesas faz-se uma procissão dentro da igreja ao canto do Salmo 147.

No domingo da Páscoa, ao iniciar a cerimônia da entrada triunfal de Cristo que precede a liturgia da ressurreição, o sacerdote, segurando o círio pascal aceso, convida os presentes a acender dele os seus círios, dizendo: “Vinde, tomai luz da Luz sem ocaso e glorificai o Cristo que ressuscita dos mortos”. E todos saem da igreja em procissão com velas acesas, para o anúncio da ressurreição de Cristo, pela leitura do evangelho próprio e o canto, várias vezes repetido, do hino da ressurreição:

“Cristo ressuscitou dos mortos;
venceu a morte a pela morte,
e aos que estão nos túmulos
Cristo deu a Vida”

Depois, o celebrante bate na porta fechada, exigindo sua abertura e entra primeiro, seguido dos fiéis, sempre com velas acesas, ao canto do Cânon da Ressurreição. É claro o simbolismo das velas acesas: Cristo ressuscitado, luz sem ocaso.

Esse simbolismo, encontramo-lo também no sacramento do batismo, chamado também sacramento da iluminação. Depois de batizar a criança, que passa, assim, das trevas do pecado para a luz da graça, o sacerdote manda, acender as velas que os presentes seguram na mão e proclama: «Bendito seja Deus que ilumina e santifica todo homem que vem a este mundo».

Em qualquer cerimônia litúrgica, em especial na “Divina Liturgia”, acendem-se velas no altar para simbolizar de um lado a consumação da criatura diante do Criador, o sacrifício de Cristo em substituição à humanidade; e de outro lado, porque é Cristo que está se sacrificando, ele que é a «Luz do mundo».